Resposta a um antipentecostal, com amor

O irmão Robson — cujo perfil não está disponível — me escreveu, depois de ler a postagem anterior:

Você disse: ‘Está escrito claramente em Lucas 24.49 que o batismo com o Espírito Santo é um revestimento de poder para quem já é salvo.’ Essa também é uma verdade que é usada pra declarar uma inverdade. Esquece [você] de afirmar que quando Jesus disse isso, os discípulos, apesar de já serem salvos, não tinham Espírito Santo nenhum por ocasião da salvação. Ou seja, eles não eram batizados no Espírito Santo, muito menos eram batizados pelo Espírito Santo. Portanto, esse versículo é inútil para o fim de apresentar o batismo como uma segunda bênção, pois devemos levar em conta o momento histórico singular nessa época (ausência do Espírito), completamente diferente da nossa época (presença dEle).

Você comete uma desonestidade com seus leitores quando não diz a verdadeira motivação daqueles que negam o batismo no Espírito, fazendo parecer que eles estão negando o Pentecostes. O senhor sabe muito bem que a promessa de trazer o Consolador se cumpriu em Pentecostes. O Pentecostes foi um dia histórico, pois marcou a descida do Espírito e o início da Igreja. O Espírito Santo desceu e já está aqui. Ele não vai continuar descendo. O Pentecostes não vai mais se repetir.

Estou tentando refutar seu argumento com base nos versículos que você apontou (Lc 24.49; At 1.8), porém o argumento não se esgota aqui. Os pentecostais ainda apresentam outras passagens de Atos (como 19.1-7) para afirmar, sem analisar bem, que há um segundo revestimento. E pior ainda: onde há na Bíblia prova de que esse tal revestimento deve ser acompanhado de dom de línguas?

Minha resposta:

Caro Robson,

A paz do Senhor!

Em Lucas 24.49, o Senhor Jesus, ressurreto, já tinha estado com o Pai (cf. Jo 20.17; Ef 4.8-11). E o Espírito Santo já estava com os discípulos e neles, como o Senhor prometera em João caps. 14-16. No capítulo 20 (de João), após a ressurreição do Cristo, os apóstolos já desfrutavam da presença do “outro [gr.allos] Consolador” (o Espírito Santo), pois o Consolador (Jesus) já havia dito a eles: “Recebei o Espírito Santo” (v.22).

A promessa do Senhor, contida em Lucas 24.49, não está relacionada com a habitação do Espírito no crente ou com a sua presença no meio do povo de Deus, prometidos em João 14.17, especialmente. Isso já era uma realidade logo após a ressurreição do Senhor. A promessa contida no aludido texto de Lucas e também em Atos 1.8 — relativas a Joel 2.28,29 e Isaías 44.3, etc. — diz respeito a um revestimento de poder para quem já tem o Espírito Santo em sua vida, como foi o caso dos quase 120 cristãos, no dia de Pentecostes (At 2.1ss).

Segue-se que a afirmação de que, no momento da promessa do Senhor Jesus, os discípulos, apesar de já serem salvos, não tinham o Espírito Santo revela falta de atenção ao que diz a Palavra de Deus. As Escrituras são análogas. Verdades só são verdades insofismáveis quando não anulam outras verdades. Repito: a Bíblia é hamoniosa, sincrônica, e não contraditória. O irmão Robson, pois, precisa estudar melhor as passagens citadas à luz de seus contextos imediato e remoto.

Não estou sendo desonesto com os leitores, como afirmou o irmão Robson. Pelo contrário, o meu desejo é que eles conheçam a verdade acerca da manifestação multiforme do Espírito, de acordo com as Escrituras, e não segundo as falácias de pensadores que desprezam o primado da Palavra de Deus. Não é o raciocínio humano que deve prevalecer. Antes, a Bíblia continua sendo a nossa fonte primacial de autoridade.

A promessa do revestimento de poder se cumpriu no dia de Pentecostesparcialmente, e não em sua totalidade. Deus derramou “do” Espírito (At 2.17), e não “o” Espírito (Jl 2.28). Se o irmão Robson ler a Bíblia com mais atenção, em vez de apegar-se a argumentos cessacionistas, antipentecostais, descobrirá que a promessa do batismo com o Espírito Santo, como revestimento de poder, é para hoje: “a vós outros é a promessa, para vossos filhos, e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor nosso Deus chamar”(At 2.39, ARA).

Também percebi em sua argumentação que o mencionado irmão ainda não descobriu que o ministério do Espírito Santo é multifacetado, multímodo, multiforme. São várias as suas ministrações à Igreja e ao crente, individualmente. Ele age na salvação (Jo 16.8-11), mas também integra o novo crente no Corpo de Cristo (1 Co 12.13), reveste-o de poder (Lc 24.49; At 2.1-4), renova-o e transforma-o a cada dia (2 Co 3.18), etc.

Ademais, não me apego a questiúnculas, como “primeiro batismo” e “segundo batismo”. A Palavra de Deus é clara quanto ao revestimento de poder para o salvo, com a evidência de falar em outras línguas (basta estudar o livro de Atos e 1 Coríntios 12-14). Mas é preciso estudar de maneira imparcial e sem preconceito. Não podemos ir contra a ação do Espírito em nossos dias (1 Co 14.39; 1 Ts 5.19,20).

Diante do exposto, a tentativa do irmão Robson de refutar os meus argumentos não funcionou. Não porque eles sejam irrefutáveis, mas porque esse irmão, ao pensar que está se opondo a mim, contrapõe-se às Escrituras Sagradas.

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

Extraído de: Blog do Ciro


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