Existe tantos deuses, porque seria o Deus cristão o verdadeiro?

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Este artigo é uma resposta a uma pergunta que todos ateu faz, inclusive meu próprio amigo [ufólogo] que não se declara ateu e nem cristão. Segue abaixo o Artigo que foi extraído dos nossos amigos Dollynho Puritano.

• Com base no Argumento Cosmológico, sabemos que Deus é:
Auto-existente, atemporal, não espacial, imaterial (uma vez que ele criou o tempo, o espaço e a matéria, então deve estar fora do tempo, do espaço e da matéria). Em outras palavras, ele não tem limites. Ou seja, ele é infinito. Inimaginavelmente poderoso, uma vez que ele criou todo o Universo do nada. Pessoal, uma vez que ele optou por converter um estado de nulidade em um Universo tempo-espaço-material (uma força impessoal não tem capacidade de tomar decisões).

• Com base no Argumento Teleológico, sabemos que Deus é:
Supremamente inteligente, uma vez que planejou a vida e o Universo com incrível complexidade e precisão. Determinado, uma vez que planejou as muitas formas de vida para viverem nesse ambiente específico e ordenado.

• Com base no Argumento Moral, sabemos que Deus é:
Absolutamente puro no aspecto moral (ele é o padrão imutável de moralidade pelo qual todas as ações são medidas. Esse padrão inclui justiça e amor infinitos).

• Com base nas evidências históricas, sabemos que Jesus existiu:
As dez fontes não-cristãs que citam Jesus são: Josefo; Tácito, historiador romano; Plínio, o Jovem, político romano; Flegon, escravo liberto que escrevia histórias; Talo, historiador do século I; Suetônio, historiador romano; Luciano, satirista grego; Celso, filósofo romano; Mara bar Serapion, cidadão reservado que escrevia para seu filho; e o Talmude. Você poderá encontrar uma lista completa das menções a Cristo feitas por essas fontes em Norman L. GEISLER, Enciclopédia de apologética. São Paulo: Vida, 2002, p. 447-52; v. tb. Gary HABERMAS, The Historicaljesus. Joplin, Mo.: College Press, 1996, capo 9

• Com base nessas informações, sabemos que os autores do Novo Testamento disseram a verdade:

(01) Os autores do Novo Testamento incluíram detalhes embaraçosos sobre si mesmos:

– Eles são tolos — por diversas vezes, não entenderam o que Jesus estava dizendo (Mc 9.32; Lc 18.34; Jo 12.16).
– Eles são apáticos — caíram no sono duas vezes quando Jesus lhes pediu que orassem (Mc 14.32-41). Mais tarde, os autores do NT acreditam que Jesus é homem-Deus, contudo admitem que caíram no sono duas vezes diante dele em sua hora de maior necessidade! Além disso, não fazem nenhum esforço para dar a seu amigo um sepultamento adequado, mas registram que Jesus foi sepultado por José de Arimatéia, um membro do Sinédrio — a própria corte que havia sentenciado Jesus à morte.
– Eles foram advertidos — Pedro é chamado de “Satanás” por Jesus (Mc 8.33), e Paulo repreende Pedro por estar errado numa questão teológica. Paulo escreve: “Quando, porém, Pedro veio a Antioquia, enfrentei-o face a face, por sua atitude condenável” (GI2.11); tenha em mente que Pedro é um dos pilares da igreja primitiva, e, aqui, Paulo está incluindo nas Escrituras que ele estava errado!
– Eles são covardes — todos os discípulos, com exceção de um, escondem-se quando Jesus vai para a cruz. Pedro até mesmo o nega três vezes depois de prometer explicitamente ” … eu nunca te abandonarei!” (Mt 26.33-35). Nesse meio tempo, enquanto os outros homens estavam escondendo-se com medo dos judeus, mulheres corajosas levantam-se a favor de Jesus e são as primeiras a descobrir o túmulo vazio.
– Eles duvidam.— apesar de terem sido informados diversas vezes de que Jesus ressuscitaria dos mortos ao terceiro dia (2.18-22; 3.14-18; Mt 12.39-41; 17.9, 22,23), os discípulos têm dúvidas quando ouvem sobre sua ressurreição. Alguns duvidam até mesmo depois de tê-lo visto já ressuscitado (Mt 28.17)!

(02) Os autores do Novo Testamento incluíram detalhes embaraçosos e dizeres difíceis de Jesus:

– foi considerado “fora de si” por sua mãe e seus irmãos (sua própria família), que vieram buscá-lo com o objetivo de levá-lo para casa (Mc 3.21,31);
– é abandonado por muitos de seus seguidores (Jo 6.66);
– desfez dos “judeus que haviam crido nele” (Jo 8.30,31), a ponto destes quererem apedrejá-lo (v. 59);
– é chamado de “beberrão” (Mt 11.19);
– é chamado de “endemoninhado” (Mc 3.22; Jo 7.20; 8.48);
– é chamado de louco (]o 10.20);
– tem seus pés enxugados pelos cabelos de uma prostituta (fato que tinha o potencial de ser visto como uma provocação sexual — Lc 7.36-39);
– é crucificado pelos judeus e pelos romanos, apesar do fato de “qualquer que for pendurado num madeiro está debaixo da maldição de Deus” (Dt 21.23; cf. GI 3.13).
– parece predizer incorretamente que voltará à terra dentro de uma geração (Mt 24.34);
– diz em relação à sua segunda vinda que ninguém sabe a hora, “nem os anjos dos céus, nem o Filho” (Mt 24.36);
– parece negar sua divindade ao perguntar ao jovem rico “Por que você me chama bom? [ … ]. Não há ninguém que seja bom, a não ser somente Deus” (Lc 18.19);
– é visto amaldiçoando uma figueira por não ter figos quando não era época de figos (Mt 21.18s);
– parece incapaz de realizar milagres em sua cidade natal, exceto curar algumas pessoas doentes (Mc 6.5).

(03) Os autores do Novo Testamento incluíram as exigências de Jesus:

– “Mas eu lhes digo: Qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração” (Mt 5.28).
– “Mas eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, faz que ela se torne adúltera, e quem se casar com a mulher divorciada estará cometendo adultério” (Mt. 5.32).
– “Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas. Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado” (Mt 5.39-42).
– “Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus” (Mt 5.44,45).
– “Sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês” (Mt 5.48).
– “Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros nos céus, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração” (Mt 6.19-21).
– “Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês” (Mt 7.1,2).

Todos esses mandamentos são difíceis ou impossíveis de serem cumpridos pelos seres humanos e parecem ir na direção contrária dos melhores interesses dos homens que os escreveram. Certamente são contrários aos desejos de muitos hoje que desejam uma religião de espiritualidade sem exigências morais. (I) Se pensar em um pecado é um ato pecaminoso, então todo mundo incluindo os autores do NT — é culpado. (II) Estabelecer padrões rígidos como esses para divórcio e novo casamento não parece estar de acordo com os interesses terrenos dos homens que registraram essa frase. (III) Não resistir aos insultos de uma pessoa má é resistir aos nossos instintos humanos básicos. Isso também estabelece um inconveniente padrão de comportamento para os apóstolos que estavam sofrendo perseguição quando essa frase foi escrita. (IV) Orar por nossos inimigos vai além de qualquer ética jamais pronunciada e exige bondade onde a animosidade é natural. (V) Não acumular riqueza contradiz os mais profundos desejos da nossa segurança temporal. (VI) Ser ‘perfeito é um pedido inatingível para seres humanos falíveis. (VII) Não julgar, a não ser que nossa vida esteja em perfeita ordem, contradiz nossa tendência natural de apontar as falhas dos outros.

(04) Os autores do Novo Testamento incluíram fatos relacionados à ressurreição de Jesus que eles não poderiam ter inventado:

Os autores registram que Jesus foi sepultado por José de Arimatéia, um membro do Sinédrio — o conselho do governo judaico que sentenciou Jesus à morte por blasfêmia. Esse não é um fato que poderiam ter inventado. Considerando a amargura que certos cristãos guardavam no coração contra as autoridades judaicas, por que eles colocariam um membro do Sinédrio de maneira tão positiva? E por que colocariam Jesus na sepultura de uma autoridade judaica? Se José não sepultou Jesus, a história teria sido facilmente exposta como fraudulenta pelos inimigos judaicos do cristianismo. Mas os judeus nunca negaram a história, e jamais se encontrou uma história alternativa para o sepultamento de Jesus. As primeiras testemunhas. Todos os quatro evangelhos dizem que as mulheres foram as primeiras testemunhas do túmulo vazio e as primeiras a saberem da ressurreição. Uma dessas mulheres era Maria Madalena, que Lucas admite ter sido uma mulher possuída por demônios (Lc 8.2). Isso jamais teria sido inserido numa história inventada. Uma pessoa possessa por demônios já seria uma testemunha questionável, mas as mulheres em geral não eram sequer consideradas testemunhas confiáveis naquela cultura do século I. O fato é que o testemunho de uma mulher não tinha peso num tribunal. Desse modo, se você estivesse inventando uma história da ressurreição de Jesus no século I, evitaria o testemunho de mulheres e faria homens — os corajosos — serem os primeiros a descobrir o túmulo vazio e o Jesus ressurreto. Citar o testemunho de mulheres especialmente de mulheres possuídas por demônios — seria um golpe fatal à sua tentativa de fazer uma mentira ser vista como verdade.

(05) Os autores do Novo Testamento incluíram em seus textos, pelo menos, 30 pessoas historicamente confirmadas:

Os documentos do Novo Testamento não podem ter sido inventados porque eles contêm muitas personagens confirmadas historicamente. Os autores teriam minado sua credibilidade diante dos ouvintes contemporâneos ao envolverem pessoas reais numa ficção, especialmente pessoas de grande notoriedade e poder. Não há maneira de os autores terem seguido adiante escrevendo mentiras descaradas sobre Pilatos, Caifás, Festo, Félix e toda a linhagem de Herodes. Alguém os teria acusado por terem envolvido falsamente essas pessoas em acontecimentos que nunca ocorreram. Os autores sabiam disso e não teriam incluído tantas pessoas reais de destaque numa ficção que tinha o objetivo de enganar. Mais uma vez, a melhor explicação é que os autores do Novo Tetamento registraram precisamente aquilo que viram.

(06) Os autores do Novo Testamento desafiam seus leitores a conferir os fatos verificáveis, até mesmo sobre milagres:

Destacamos a declaração aberta de precisão feita por Lucas a Teófilo (Lc 1.1-4), a afirmação de Pedro de que não seguiram fábulas engenhosamente inventadas, mas que foram testemunhas oculares da majestade de Cristo (2Pe 1.16); a ousada declaração de Paulo a Festa e ao rei Agripa sobre o. Cristo ressurreta (At 26) e a reafirmação de Paulo de um antigo credo que identificou mais de 500 testemunhas oculares do Cristo ressurreto (1 Co 15). Além disso, Paulo faz outra afirmação aos cristãos de Corinto que nunca teria feito a não ser que estivesse dizendo a verdade. Em sua segunda carta aos Coríntios, Paulo declara que anteriormente realizara milagres entre eles. Falando de suas qualificações como apóstolo — com alguém que fala por Deus -, Paulo relembra aos cristãos de Corinto: “As marcas de um apóstolo — sinais, maravilhas e milagres — foram demonstradas entre vocês, com grande perseverança” (2Co 12.12). Por que Paulo escreveria isso aos cristãos de Corinto a não ser que realmente tivesse realizado os milagres entre eles? Ele teria destruído sua credibilidade completamente ao pedir que se lembrassem de milagres que nunca realizara diante deles! A única conclusão plausível é que: (I) Paulo realmente era apóstolo de Deus, (II) portanto, realmente tinha a habilidade de confirmar seu apostolado ao realizar milagres e (III) ele mostrou essa habilidade abertamente aos cristãos de Corinto.

(07) Os autores do Novo Testamento abandonaram suas crenças e práticas sagradas de longa data, adotaram novas crenças e práticas não negaram seu testemunho sob perseguição ou ameaça de morte:

– o sistema de sacrifício de animais — eles o substituíram pelo sacrifício perfeito de Cristo;
– a supremacia obrigatória da Lei Mosaica — eles dizem que ela não tem mais poder por causa da vida sem pecado de Cristo;
– monoteísmo estrito — agora adoram Jesus, o homem-Deus, apesar do fato de que (I) sua mais prezada crença fosse “Ouça, ó Israel: O SENHOR, o nosso Deus, é o único SENHOR” (Dt 6.4) e (II) a adoração ao homem sempre fora considerada blasfêmia e punida com a morte;
– o sábado — eles não mais observavam esse dia, embora sempre tivessem acreditado que quebrar o sábado era uma atitude passível de morte (Êx31.14);
– crença no Messias conquistador — Jesus é o oposto de um Messias conquistador. Ele é o Cordeiro sacrificial (pelo menos em sua primeira visita!).

Não apenas esses novos cristãos abandonaram suas crenças e práticas há muito prezadas, mas também adotaram algumas outras bastante radicais: (I) domingo, um dia de trabalho, como o novo dia de adoração; (II) o batismo como um novo sinal de que alguém era participante da nova aliança (como a circuncisão era um sinal da antiga aliança); (III) a comunhão (ceia) como um ato memorial do sacrifício de Cristo por seus pecados.

Para todos os que estão em Cristo Jesus.


 

Refutando: O truque lógico do paradóxo da pedra

É curioso como um erro de lógica pode confundir muita gente. Até hoje algumas pessoas não têm respostas para paradoxos lógicos como este. E neo-ateus, em má fé, o utilizam para “desnortear” os crentes desinformados. O paradoxo da pedra já foi bastante popular em debates, mas hoje não parece estar muito em voga. De qualquer forma, volta e meia alguém aparece propondo em discussões e, por isso, é necessário abordá-lo de forma a dissipar qualquer dúvida. Esse truque é apenas um truque de lógica. Vamos analisá-lo dessa maneira analógica. A argumentação vai mais ou menos assim:

1- SE DEUS É ONIPOTENTE, ENTÃO ELE PODE FAZER TUDO.

 

2- SE ELE PODE FAZER TUDO, ENTÃO ELE PODE FAZER ATÉ MESMO UMA PEDRA QUE NEM ELE MESMO PODE LEVANTAR.

 

3- MAS SE ELE NÃO PODE LEVANTAR A PEDRA, ENTÃO ELE NÃO É ONIPOTENTE. 

4- E SE ELE NÃO PODE CRIÁ-LA, ENTÃO ELE TAMBÉM NÃO É ONIPOTENTE.

5- LOGO, DEUS NÃO É ONIPOTENTE, POIS NÃO PODE CRIAR UMA PEDRA QUE NEM ELE MESMO POSSA LEVANTAR.

Na verdade, essa forma contém um erro, pois Deus poderia criar a pedra (1ª situação), enfraquecer a si mesmo (2ª situação) e chegar a um ponto onde a pedra original fosse tão pesada que ele não fosse mais capaz de levantá-la (3º momento). Portanto, Deus teria criado uma pedra que nem ele pode levantar. A melhor forma de colocar a questão é a seguinte: pode uma força irresistível (capaz de levantar tudo) co-existir com um objeto inamovível (que nada pode levantar)? Devemos, primeiro, apresentar duas definições de onipotência para prosseguirmos na investigação. São elas:

(1) Ter a capacidade de fazer tudo, sendo tudo sinônimo das coisas que são logicamente possíveis (pois o logicamente impossível não é “algo” para estar dentro do conjunto tudo).

 

(2) Ter a capacidade de fazer tudo, sendo tudo sinônimo de até mesmo aquilo que é logicamente impossível.

 

Arrisco-me a dizer que a maioria dos teístas adota a posição (1). O ponto chave para diferenciá-los é justamente o significado de “fazer tudo”: trata-se das coisas que são possíveis ou mesmo das coisas que não podem existir? Se definirmos “tudo” como o conjunto das coisas possíveis, fica fácil de responder o paradoxo. Não é possível para Deus criar uma relação de uma força irresistível co-existindo com um objeto inamovível, pois essa relação é, pela sua própria definição, algo incompatível logicamente; e não está dentro do “tudo” da onipotência. Como já havia respondido Santo Tomás de Aquino sobre onipotência na Suma Teológica (Prima Pars, Q. 25, A. 3) :

“O que resta, portanto, é que Deus é chamado de onipotente porque ele pode fazer todas as coisas que são possíveis absolutamente; que é a segunda maneira de dizer que uma coisa é possível. Pois uma coisa é dita ser possível ou impossível absolutamente, de acordo com a relação em que os termos estão um com os outros, possível se o predicado não é incompatível com o sujeito, como em Sócrates senta; e absolutamente impossível quando o predicado é completamente incompatível com o sujeito, como em, por exemplo, esse homem é um asno.”

Essa também é, de certa forma, a opinião de C. S. Lewis:

A sua onipotência significa poder para fazer tudo que é intrinsecamente possível, e não para fazer o que é intrinsecamente impossível. É possível atribuir-lhe milagres, mas não tolices. Isto não é um limite ao seu poder. Se disser: “Deus pode dar a uma criatura o livre-arbítrio e, ao mesmo tempo, negar-lhe o livre-arbítrio” não conseguiu dizer nada sobre Deus: combinações de palavras sem sentido não adquirem repentinamente sentido simplesmente porque acrescentamos a elas como prefixo dois outros termos: “Deus pode”.

Sendo assim, permanece verdadeiro que todas as coisas são possíveis com Deus: as impossibilidades intrínsecas não são coisas mas insignificâncias (na prática, não existem). Não é possível nem a Deus nem à mais fraca de suas criaturas executar duas alternativas que se excluem mutuamente; não porque o seu poder encontre um obstáculo, mas porque a tolice continua sendo tolice mesmo quando é falada sobre Deus.Deve ser porém lembrado que os raciocinadores humanos com freqüência cometem erros, seja argumentando a partir de dados falsos ou por falha no argumento em si. Podemos chegar assim a pensar coisas possíveis que na verdade são impossíveis, e vice- versa. (Problema do Mal, Capítulo sobre onipotência) O que Tomás e Lewis explicam é o seguinte: objetos existem, na realidade, em relações. E existem que relações que não são reais, por serem incompatíveis ou mutuamente excludentes. Esse é o caso da força irresistível e do objeto inamovível existindo ao mesmo tempo, pois a definição da existência de uma é a definição da exclusão da existência da outra. É o mesmo que perguntar: “Pode existir um solteiro casado?” ou“Pode existir um círculo que é um quadrado?”. A definição de casado é de um homem que não é solteiro, ou seja, se você é solteiro, está excluído a possibilidade de ser, ao mesmo tempo, casado. A definição de ser um círculo exclui a possibilidade de ser um quadrado. E a definição de uma força irresistível exclui automaticamente a existência de um objeto inamovível, pois se existe um objeto inamovível, ela não é mais irresistível; e vice-versa. Isso é só um jogo de palavras, não algo real,se onipotência é fazer “tudo”, e “tudo” é o conjunto dos “algos” existentes no plano real, então essas contradições lógicas não são “algo”. São apenas erros mentais ou gramáticos na construção de uma idéia. Deus continua sendo onipotente.

Então, pela definição (1) de onipotência, a coisa está bem clara: o paradoxo falha. O erro é do raciocínio de quem propõe a pergunta, não da incapacidade de Deus. Como Lewis disse, pedir que Deus faça ao mesmo tempo “X” e “não-X” trata-se apenas de uma… tolice, pois tal coisa não pode realmente existir, não estando no grupo “tudo” abrangido pela onipotência. Mas ainda temos uma questão: e se a definição utilizada for (2)? Basicamente, a requisição que o ateu estará fazendo é que Deus é tão, mas tão poderoso que ele pode realizar até mesmo aquilo que élogicamente contraditório e logicamente impossível. O problema é que se aceitarmos essa definição (que não é a minha preferida, mas tudo bem) o paradoxo vai imediatamente pro ralo. Se o poder de Deus deve ser tanto que ele possa resolver até mesmo contradições lógicas, então que sentido faz postular uma contradição lógica para dizer que ele não existe ou que ele não é onipotente? Afinal, se o seu poder é tanto que ele deveria ser capaz de superar essas contradições, então qualquer contradição que apontarmos também poderia ser superada por Ele, e segue que Deus continuaria sendo onipotente. Essa definição torna qualquer objeção lógica oferecida pelo ateu auto-refutável. Portanto, o paradoxo não funciona em nenhuma das versões de onipotência.

Considerações finais:

Também é interessante lembrar que esse questionamento não excluiria a existência de um ser transcendental. Ele poderia muito bem muito poderoso, mas não ser onipotente. Essa objeção (que é falha) só provaria, no máximo, que teríamos que descer um degrau na escala de poder de Deus. Mas, como vimos, nem isso é preciso fazer.

Extraído de: Razão em Questão

A Falácia dos Argumentos Ateístas

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Eu mesmo sou, é claro, um tipo de ateísta. Ainda assim, nunca deixou de me incomodar como muitos argumentos realmente ruins são usados por outros ateístas. (Para não mencionar os que eu próprio já usei!) Aqui vai uma lista de alguns deles.

Sem evidências = Sem Deus

Argumento: Os teístas não podem fornecer evidências convincentes da existência de Deus. Portanto, Deus não existe/os teístas estão errados ao acreditarem em Deus.

Explicação: Este é, às vezes, chamado de argumento evidencialista do ateísmo. Basicamente, ele afirma que, na ausência de evidências em favor de Deus, deve-se acreditar que ele não existe.

Paródia: Os ateístas não podem fornecer evidências convicentes da não-existência de Deus. Portanto, Deus realmente existe/os ateístas estão errados ao não acreditarem nele.

Refutação: Este argumento comete a falácia formal do apelo à ignorância, por presumir que a falta de provas da existência de Deus equivale a uma prova contra sua existência. Na verdade, a única coisa que a falta de evidências realmente permite é falta de crença em Deus, não a afirmação de que Deus não existe. Além do mais, mesmo se não houver absolutamente nenhuma evidência a favor da existência de Deus, isso não significa que os teístas são estúpidos. O teísmo, para muitos, poderia ser uma crença tão fundamental que não é sequer teoricamente sujeita à prova. Criticar uma crença com base em evidências, portanto, é semelhante a criticar, digamos, a crença na existência de outras mentes (o que, da mesma forma, definitivamente não é demonstrável).


Provar é mais fácil que desprovar

Argumento: É mais fácil provar a existência de algo que provar sua inexistência. A fim de provar que algo existe, é preciso apenas mostrar um caso de sua existência; já para provar que algo não existe, é preciso vasculhar cada parte da realidade. Portanto, cabe sempre aos teístas provar que Deus existe — e como eles não podem fazê-lo, Deus não existe.

Explicação: Um modo de tentar lançar o ônus da prova sobre os teístas, pois é supostamente mais fácil (em teoria) provar o teísmo do que o ateísmo.

Paródia: É mais fáil provar que existe somente uma maçã podre neste saco do que provar que há mais de uma. Então, na ausência de provas de que há mais maçãs podres, devemos concluir com certeza de que há somente uma no saco.

Refutação: A facilidade em provar uma crença não tem qualquer relação com a plausibilidade dessa mesma crença, e certamente não muda o ônus da prova. Este argumento, bem como o de “Sem evidências = Sem Deus”, é apenas uma tentativa sorrateira de justificar e cometer a falácia de apelo à ignorância.

O teísmo é anticientífico

Argumento: A ciência descarta a existência de um Deus, pois Deus não pode ser observado epistemologicamente.. Portanto, é anticientífico acreditar em Deus.

Explicação: Muito direto. A crença aqui é de que a ciência é fundamentalmente atéia, e, por conseqüência, o teísmo deve ser anticientífico. (A maioria dos proponentes deste ponto de vista seriam bem rápidos em acrescentar, “E já que o teísmo é anticientífico, não passa de lixo supersticioso”.)

Paródia: A ciência descarta a questão de se uma mão vence outra no pôquer. Portanto, é anticientífico vencer no pôquer, e os jogadores de pôquer são apenas idiotas supersticiosos.

Refutação: Na verdade, a ciência não nega a existência de Deus mais do que nega as regras do pôquer. Deus, como o pôquer, é simplesmente uma idéia para a qual a ciência não é importante. De fato, todas as questões metafísicas são, por sua própria natureza, inabordáveis pela ciência. Esta não descarta a existência dessas coisas; ela apenas reconhece que elas não estão sujeitas à investigação científica. Conseqüentemente, a crença em Deus não é anticientífica, no sentido de que seja contrária à ciência.


Os teístas são maus

Argumento: A crença em Deus tem produzido incontáveis guerras, inquisições, e outros tipos de tormento. Portanto, a crença em Deus deveria ser rejeitada.

Explicação: O exemplo mais comum de apelo emocional. O teísmo tem levado a atrocidades; logo ele deve ser considerado falso.

Paródia: A ciência levou à criação da bomba atômica, bem como a incontáveis outros implementos de destruição em massa. Estes, por sua vez, têm causado grandes dores e sofrimentos às pessoas ao longo da história. Portanto, a ciência deve ser rejeitada.

Refutação: Mesmo se fosse verdade que o teísmo sempre levasse a atrocidades (e não é) isso não afetaria em nada a questão de ele ser ou não verdadeiro.


Onde está Deus?

Argumento: Deus não pode ser encontrado em lugar algum do universo. Deus não tem tamanho nem massa. Logo, Deus não é uma coisa, e por isso não pode existir.

Explicação: Este argumento basicamente diz que, por Deus não ser um objeto físico, ele não pode existir.

Paródia: A lógica não pode ser encontrada em lugar algum do universo. A lógica não tem tamanho ou massa. Logo, a lógica não pode existir.

Refutação: Este argumento se baseia no materialismo, que é o ponto de vista metafísico de que apenas os objetos físicos existem realmente. Até aí nada de mais — não há nenhuma razão a priori pela qual o materialismo deva ser falso. Mas é um argumento muito, muito ingênuo contra o teísmo, já que os próprios teístas obviamente não aceitam o materialismo como verdadeiro! A fim de que a proposição acima fizesse sentido, o ateísta teria de provar que é o materialismo que está com a razão; algo essencialmente impossível.


Deus não tem sentido

Argumento: A palavra “Deus” é tão vaga e ambígua, que não se refere a uma única coisa. Pergunte a um hindu o que é Deus, e ele lhe dirá algo completamente diverso do que diria um cristão, porque não há dois “Deuses” exatamente iguais. Logo, Deus deve ser descartado, simplesmente porque ele não significa nada para quem diz que ele existe.

Explicação: Isso é por vezes chamado de ateísmo lingüístico. A idéia báica é que, já que “Deus” é supostamente um termo sem sentido, não se pode acreditar validamente em Deus mais que se poderia acreditar em, digamos, “squarfs” e “turlims”.

Paródia: A idéia de que “existe uma maçã vermelha” é tão vaga e ambígua que não se refere a uma única coisa. Pergunte àquele sujeito o que é uma maçã vermelha, e ele apontará para uma fruta de um formato particular e um matiz particular de vermelho; ao passo que um outro sujeito apontará para uma fruta com um matiz diferente de vermelho, já que não existem duas maçãs perfeitamente iguais. Logo, a existência de uma maçã vermelha deve ser descartada, pois não significa nada dizer que existe tal fruta.

Refutação: É claro que a palavra “Deus” é, se vista sem maiores definições, muito vaga e ambígua para significar muita coisa. Mas o argumento ateísta acima se fundamenta num equívoco sutil: ele diz que, uma vez que o termo muito genérico “Deus” não tem um significado suficientemente preciso, nada que possa ser chamado de Deus pode realmente existir. Na verdade, contudo, é inteiramente possível ter definições específicas de Deus que realmente fazem sentido. Os hindus têm uma definição específica de Deus; os cristãos têm outra; os judeus, outra; e assim por diante. Tudo o que a ambigüidade do termo genérico “Deus” significa é que um ateu, em vez de falar de “qualquer Deus”, deve lidar com concepções individuais de Deus. Essas concepções particulares podem certamente ter sentido próprio, e ser, por conseqüência, imunes ao desafio do “ateísmo lingüístico”.


 

Para todos os que estão em Cristo Jesus.

Extraído de: CACP