Seria Jesus uma cópia de deuses pagãos?

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Por Hélio Medeiro

Sempre que se aproxima o natal é comum ver veículos da imprensa associando a figura de Jesus Cristo a mitos pagãos que já existiam antes mesmo do cristianismo. Isso não é nada novo pois há muito tempo já fui refutado, e hoje, nem mesmo ateus de renome defendem essas teses. Mas, para os  militantes neo-ateístas é um “prato cheio”. Eles se agarram a essas teorias como se fossem verdade absoluta e as espalham pela internet com o objetivo de sacanear os crentes sem  ao menos fazer uma pesquisa a fundo para saber se o que ele está compartilhando é de fato verdade.

A teoria que gera muitos questionamentos é aquela que afirma que a história de Jesus seria na verdade uma novela teológica plagiada a partir de mitos pagãos existentes antes mesmo do nascimento de Cristo. A tese defendida é que os autores do NT, ao escreverem os evangelhos plagiaram mitos pagãos para compor a história de Jesus de Nazaré. Existe até mesmo uma suposição de que toda a Bíblia se basearia em princípios astrológicos pertencentes a civilizações mais antigas como Egípcios e Babilônicos. Assim, os 12 signos do zodíaco seriam na verdade a inspiração para as 12 tribos de Israel, os 12 filhos de Jacó e os 12 apóstolos de Jesus.

Bem, no que diz respeito a Jesus, ficaria sem sentido buscar fora da Bíblia a inspiração para o número (12) no caso dos 12 apóstolos. Digo isto por que o Antigo Testamento é que fornece o pano de fundo mais natural para o movimento de Jesus Cristo na Terra.

Mas o que podemos dizer em relação a tese de que a Bíblia como um todo se inspirou em mitos do paganismo?

Bem, isso não faz o menor sentido!  O livro do Gênesis foi escrito por volta do século XV aC. E mesmo teólogos liberais que não aceitam a autoria de Moisés afirmam que ele teria sido composto por volta de 900 a 550 aC. Logo, existiria um consenso entre autores liberais e conservadores de que a  história das 12 tribos de Israel e das 12 tribos de Jacó já seria muito bem conhecidas pelos Judeus por volta do sexto século aC e, provavelmente antes disso. Sem contar o fato de que elas se inspiravam em ocorrências ou acontecimentos bem mais antigos que isso.

Agora, veja um detalhe: a astrologia babilônica que divide os signos do zodíaco em números de 12, data, segundo os especialistas, do quinto ou mais provavelmente do quarto século aC.  Logo, é uma tradição posterior a narrativa bíblica, e, logicamente, não poderia ser um modelo na qual as escrituras se inspiraram. E quem nos dá essa informação não são religiosos ou teólogos, mas especialistas em astronomia antiga como  o Dr. Jay Pasachoff, do observatório de Havard.  Aliás, essa datação é um consenso entre físicos especializados em história da astronomia.

Uma outra comparação clássica que os teóricos da conspiração gostam de fazer é a suposta correspondência entre a história de Jesus e o mito de Hórus, o deus egípcio com forma de falcão. Os críticos dizem que Hórus nasceu em 25 de dezembro, de uma virgem chamada Ísis, uma estrela no oriente proclamou a sua chegada, três reis vieram para adorá-lo, se tornou um grande mestre aos 12 anos, aos 30 anos foi batizado no rio Eridanus por um profeta chamado Anup, tinha 12 apóstolos, fez milagres e ressuscitou El- Osiris, pregou numa montanha os ditados de Lusa, era chamado de KRST O Ungido,e finalmente, foi crucificado e reviveu.

Essa lista é tão impressionante que mesmo quem conheça por alto a vida de Jesus ficaria extasiado com as incríveis semelhanças de um relato e outro. E o mais instigante, o mito de Hórus dataria há cerca de 3 mil anos aC. Portanto, teria a possibilidade de que os autores cristãos plagiassem Hórus e, posteriormente, feito a história de Cristo.

Impressionante, não?

O problema é que isso é uma MENTIRA! Apenas para constar; não temos nada, absolutamente nada na história egípcia que apresente essa versão do mito de Hórus.  Hórus jamais nasceu em 25 de dezembro, nem Jesus. A sua mãe, Ísis, não era virgem, ela era  a esposa de Osíris, e concebeu seu filho se auto-fecundando com o esperma de seu pai que havia sido morto. Fato é que existe uma história da aparente ressurreição no mito original egípcio mas não tem nada a ver com a ressurreição de Cristo. É que Ísis tomou o corpo esquartejado de seu marido e o costurou. Em virtude disso, ele então volta a viver, mas apenas como um rei mumificado no mundo dos mortos.

Não há nada no mito original egípcio falando no batismo de Hórus ou de uma escolha de 12 discípulos e muito menos que ele operava milagres. Ah, e dizer que ele também era chamado de KRST o Ungido, é a pior falácia que se poderia inventar. Primeiro porque esse título não era aplicado a Hórus e segundo porque KRST em egípcio significa “sepultamento” e não o Ungido.

Os críticos afirmam também que a história da ressurreição de Jesus era uma adaptação do mito romano de Átis, uma divindade muito popular no império. Eles afirmam que Átis, tal como Jesus de Nazaré, foi crucificado, morto, e ressuscitou no terceiro dia.

Mais uma FALÁCIA!

O mito romano de Átis, nunca afirmou tal coisa. A lenda original fala de um jovem infeliz no amor, que depois de castrar-se a si mesmo, ficou louco e depois fugiu para viver nas florestas. Átis era o filho da grande deusa mãe, Cibele. E alguns supõem que mais tarde o mito evoluiu falando algo sobre uma possível ressurreição do filho de Cibele que era celebrado no festival das hilárias, que era comemorado todo dia 25 de março.

Bem, sobre esse dado, em primeiro lugar, há divergência entre os especialistas se o festival celebraria uma suposta ressurreição do deus, ou outra coisa. Ademais, ainda que se confirme esse fato, tal celebração não aconteceu senão depois do ano 150 de nossa era. Ou seja, mais de 100 anos após a origem e fundação do cristianismo. Sendo assim, se houve mesmo uma celebração e uma conseguinte influência de um relato sobre o outro, certamente, o relato cristão que é mais antigo, é que serviria de inspiração para o segundo e não ao contrário.

Outro detalhe que gostam de colocar, é que os cristãos teriam plagiado até mesmo a data de nascimento de Jesus de outros deuses pagãos. Essa tese de que Jesus nasceu de uma virgem no dia 25 de dezembro é parte das mitologias de Dionísio, Mitras e, do já mencionado, Hórus.  Nada, porém, das versões antigas desses mitos  corroboram com essa informação.

É difícil entender por que os críticos insistem tanto nisso. Afinal, nem a Bíblia nem o cristianismo primitivo afirmam que Jesus tenha nascido em 25 de dezembro. Nós simplesmente não temos essa informação.  Foi o papa Julio I que tardiamente  datou o nascimento de Cristo no solstício de dezembro. A data que foi convencionada e não tem portanto nada a ver com o cristianismo original, muito menos com o que ensina a Bíblia.

Há também uma teoria de que a história da crucifixão de Jesus deriva de um mito Hindu. Esse mito seria krishna. Mas não existe nada no Bhavagad Gita, livro sagrado dos Hindus, que conte uma história semelhante a crucifixão de Jesus. O que o texto do Bhavagad Gita diz é que krishna morreu através de uma flechada acidental que ele tomou quando guerreava e depois disso sua alma foi levada ao paraíso. Mas não houve nada que se possa chamar de ressurreição da carne.

Mas como não sou especialista em religião Hindu, vou deixar com você a opinião de um doutor no assunto. O professor Edwin Bryant, que leciona Hinduísmo na universidade de Rochester. Bryant é autor do livro “krishna A Sourcebook”. Veja o que ele escreveu quando lhe perguntaram sobre uma possível relação entre a crucifixão de Jesus e a suposta crucifixão de  krishna.

De onde tiraram isso? Essa ideia é completamente absurda e sem sentido. Não há absoltamente uma menção  em lugar algum que afirme que krishna ou qualquer outra divindade Hindu tenha sido crucificada

Observe, diferente desses relatos, a história de Jesus não é uma representação simbólica  da morte e renascimento, muito menos uma paráfrase dos cultos de fertilidade. Jesus viveu entre pessoas cuja a historicidade já foi estabelecida por fontes extras-bíblicas. Aliás, a própria existência de Jesus também é relatada por fontes não cristãs.

Outra coisa importante a dizer é que nenhum dos personagens propostos pelos críticos para comparar a Jesus, tiveram a intenção de morrer para salvar a humanidade. Apenas Jesus morreu por nós, apenas Ele se diz o nosso Salvador e Filho de Deus.

De todo modo, nada desses depoimentos e afirmações com aparência de erudição e pesquisa podem ofuscar o brilho do Salvador Jesus Cristo. Mitos não podem salvar pessoas, mas o sangue de Jesus salvou a milhões.

Krishna, Hórus, Mitras, Dionísio…  podem até ser lendas interessantes para o conhecimento geral da humanidade. Mas Jesus não se iguala a nenhum destes. Sabe por que? Simplesmente porque Jesus é incomparável. Ele é o único que pode salvar totalmente os que por Ele se chegam a Deus.

Extraído de: Neo-Ateu Toddynho


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